Pastor dizia que 'incorporava anjos' para abusar de fiéis durante campanhas espirituais, em GO

Uma das vítimas disse que abusos aconteciam em um 'quarto de orações'. Denunciantes descrevem sobre toques nas partes íntimas e outras táticas do religioso.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução
1º Distrito Policial de Anápolis.

Um pastor é suspeito de abusar de fiéis em Anápolis, localizada a 55 km da capital de Goiás. Segundo duas vítimas, ele usava a fé para praticar os crimes, alegava estar "incorporando um anjo" em “campanhas espirituais” e que, se negassem, teriam consequências.

A reportagem tentou contato com o pastor por mensagem e ligação nesta quinta-feira (5), mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

O caso foi registrado na Polícia Civil (PC) na última segunda-feira (2).Em nota, a PC explicou que o caso é investigado pelo 1º Distrito Policial de Anápolis. “O procedimento está com diligências sendo realizadas para a escorreita apuração dos fatos e será concluído tão logo findar as investigações”, detalhou a PC.

Conivência

Uma das vítimas disse à polícia que frequentava a igreja do pastor há 8 anos e foi abusada por ele, pela primeira vez, no ano passado. Ela disse ainda que o pastor pediu fotos íntimas dela alegando que fazia parte de uma "campanha" para ter sucesso na vida e que anjos a ajudariam através dele. A vítima disse que enviou.

Em uma das situações descritas pela vítima, ela contou que o pastor teria dito que incorporou um “anjo” após um culto de libertação e que ela seria “amaldiçoada” se contasse para alguém sobre os pedidos dele. Logo depois disso, o suspeito teria passado a mão nas partes íntimas dela, colocou a boca nos seios e a beijou.

Segundo a mulher, a esposa do suspeito presenciou o abuso e ainda mandou que ela não negasse os pedidos feitos pelo marido, que incluíam até masturbação. Os crimes teriam acontecido em um “quarto de oração” da igreja e em uma casa.

No segundo abuso, em dezembro do ano passado, o pastor teria "incorporado" novamente e pediu para que a vítima não falasse nada ao companheiro e novamente tocou no corpo dela, de acordo com a vítima.

A mesma vítima denunciou ainda que, por uma terceira vez, durante a "campanha", também foi abusada no "quarto de orações" e o pastor tirou a virgindade dela. A mulher contou que a esposa do suspeito estava perto e não fez nada.

O quarto abuso descrito pela vítima também aconteceu em dezembro de 2022 e o pastor tinha dito, inclusive, que não poderia usar preservativo e ela não tinha o direito de exigir, porque o "anjo" não aceitava, segundo a mulher. Depois disso, o suspeito falou à denunciante que ia parar a campanha porque estava tendo sentimentos por ela.

Fora da "campanha", o pastor continuou ligando para a vítima e pedia para que ela se tocasse para ele assistir. Quando a vítima falou que não queria mais participar, o homem divulgou fotos íntimas dela para outros membros da igreja, o que ela descobriu em outubro deste ano.

Segunda denúncia

À polícia, outra vítima disse que frequentou a igreja do pastor por 5 anos e ele a chamou dizendo que precisava fazer uma “campanha espiritual” porque o marido dela estava com um problema. Durante o abuso, o homem chegou a falar que um “anjo” estava com ele, segundo a mulher.

No primeiro dia da “campanha”, o pastor pediu para que a mulher falasse o que gostaria que o marido fizesse com ela sexualmente, conforme o relato. No segundo, o pastor tocou as partes íntimas da mulher, colocou a boca nos seios e encostou a mão dela nas partes íntimas dele, de acordo com ela.

Durante o abuso, a mulher tentou empurrar o suspeito, ele teria dito que ela tinha que continuar a “campanha” e a fez prometer que não contaria para ninguém porque as pessoas não entenderiam, conforme detalhou o relato.

Medida protetiva

As vítimas pediram à Justiça medidas protetivas de urgência contra o pastor, mas o juiz negou. Um dos argumentos usados na decisão, é que os crimes não foram praticados no âmbito doméstico e elas não possuíam vínculo anterior com ele.

Fonte: G1 Goiás