O soldado brasileiro Hendrick Lima Gonçalves, de 22 anos, natural de Tucuruí, no Pará, morreu em combate na Ucrânia no dia 30 de outubro. A família busca informações sobre as circunstâncias da morte e tenta viabilizar o traslado do corpo ao Brasil, mas enfrenta dificuldades devido aos riscos na região onde o jovem estava.
“Infelizmente é quase impossível encontrar ele agora, porque era uma área de risco. Quem está lá diz que se alguém tentar resgatar o corpo, pode ser atingido”, relatou a irmã, Beatriz Correa.
Os familiares receberam a confirmação da morte no sábado (31). Até segunda-feira (2), não havia informações sobre a localização exata do corpo, sua liberação ou uma possível data para o traslado ao Pará.
Beatriz contou, nas redes sociais, que a família entrou em contato com o consulado brasileiro e com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). Segundo ela, os procedimentos burocráticos, a necessidade de envio de documentos e a diferença de fuso horário têm dificultado a obtenção de respostas.
De acordo com os familiares, a missão militar da qual Hendrick participava ainda não havia sido totalmente concluída, o que dificulta o acesso a informações oficiais. Até o momento relatado, a família havia recebido apenas informações repassadas por outros combatentes.
Diante das dificuldades para recuperar o corpo, os parentes passaram a priorizar a regularização da documentação do jovem e a recuperação de seus pertences pessoais e medalhas militares.
“O que a gente quer mesmo é correr atrás dos documentos, das medalhas dele, se sentir representado por ele, e seguir em frente, saber se confortar com a dor”, afirmou Beatriz.
Hendrick estava na Ucrânia desde maio de 2026, onde atuava como instrutor de tiro das forças ucranianas. Segundo familiares, ele pretendia retornar ao Brasil no fim de novembro.
A mãe do jovem, Josiane Alves Lima, contou que o filho deixou um emprego no Rio Grande do Sul e retornou a Tucuruí para organizar a documentação necessária à viagem, sem revelar seus planos à família. Segundo ela, Hendrick comunicou a decisão por telefone quando já estava no avião. Josiane também afirmou que as circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas.
Em nota divulgada em 1º de novembro, o Ministério das Relações Exteriores informou que “a Embaixada do Brasil em Kiev permanece à disposição para prestar a assistência consular cabível aos familiares do jovem”.
O Itamaraty acrescentou que “o atendimento do Estado brasileiro é feito a partir do contato direto dos parentes interessados e segue as normas dos tratados internacionais”. A pasta também destacou que “vem alertando os cidadãos brasileiros sobre o perigo extremo na região desde o agravamento do conflito”.