Operação da PM para prender suspeito de assassinar policial deixa mais de 10 mortos, em SP

Operação Escudo acontece desde sexta-feira (28), e deve continuar até 28 de agosto. Durante a operação, 32 pessoas foram presas e mais de 20kg de drogas apreendidas. Ouvidoria da PM diz que apura possíveis excessos.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução

Quatorze é o número de mortos confirmados na operação Escudo da Polícia Militar (PM) para localizar e prender os assassinos de Patrick Bastos Reis, soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da corporação, morto a tiros por criminosos na última quinta-feira (27 de julho) no Guarujá, litoral de São Paulo.

O número foi confirmado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) em coletiva nesta terça-feira (01).

Levantamento mostra que a atual operação da PM já é a mais letal no estado de São Paulo desde os "crimes de maio" de 2006, quando as forças de segurança reagiram aos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) e mataram ao menos 108 pessoas, segundo a Defensoria Pública. A ação deste ano superou a "operação Castelinho", que em 2002, deixou 12 mortos.

A Operação Escudo começou em 28 de julho, e a previsão é que continue até 28 de agosto. Ao todo, 32 suspeitos foram presos, entre eles, Erickson David da Silva, apontado pelas autoridades como autor do disparo que matou o solado da Rota. A defesa do homem negou que ele tenha cometido o crime.

O secretário da Segurança de SP, Guilherme Derrite, afirmou que quatro suspeitos da participação na morte do policial já foram identificados, sendo que dois deles estão presos. Também foram encontrados mais de 20 quilos de drogas, e 11 armas foram apreendidas.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (31), Tarcísio de Freitas afirmou: "Aqueles que resolveram se entregar à polícia foram presos, foram apresentados à Justiça". Na ocasião, ele também disse estar "extremamente satisfeito" com a ação da PM, que àquela altura já tinha matado oito pessoas.

Na segunda-feira o ministro da Justiça, Flávio Dino, disse que a ação "não parecia ser proporcional". A ouvidoria da PM alertou que está na região recebendo denúncias de excessos dos agentes envolvidos na Operação Escudo. As mortes também estão sendo acompanhadas pelo Ministério Público.

Segundo os registros, a maior parte dos boletins de ocorrência cita confrontos com os agentes de pessoas armadas. A família de um dos mortos confronta a versão e diz que o homem foi tirado de casa enquanto estava com o filho no colo, arrastado e executado. A SSP não comentou o caso.

Sobre as mortes, a secretaria disse que imagens das câmeras corporais serão anexadas aos inquéritos em curso e estão disponíveis.

Ainda de acordo com a SSP, até a última atualização desta reportagem, seis policiais haviam sido mortos e 14 haviam sido feridos na Baixada Santista em 2023.

A operação

O soldado Patrick Bastos Reis foi baleado enquanto fazia um patrulhamento na comunidade da Vila Zilda, em Guarujá, na quinta-feira (27). A morte dele foi confirmada no mesmo dia. Além dele, um outro policial foi baleado na mão esquerda, encaminhado para o Hospital Santo Amaro e liberado.

Após o caso, a Polícia Militar iniciou a Operação Escudo, com o objetivo de capturar os criminosos responsáveis pela ação contra os agentes.

O suspeito de atirar e matar Patrick Bastos Reis está preso. Ele passou por audiência de custódia, nesta segunda-feira (31), no Fórum de Santos, no litoral de São Paulo. Erickson David da Silva, de 28 anos, teve a prisão temporária mantida por 30 dias.

Apesar de ter se entregado, ele nega o envolvimento no crime. Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da TV Globo, o advogado do Wilton Felix disse que suspeito se diz inocente e estava na comunidade da Vila Zilda, em Guarujá, para comprar drogas.

"Ele [Erickson] alega e atesta que não participou do evento morte. Na fatalidade, ele estava comprando droga, por fazer uso de entorpecentes, quando ouviu vários tiros e no pavor da situação, ele fugiu do local", explicou Felix.

Fonte: G1 Santos e Região