A onça que atacou uma menina de 8 anos na Terra Indígena Munduruku, em Jacareacanga, no sudoeste do Pará, foi capturada e morta pela comunidade após o ocorrido. Segundo relatos de moradores, o animal foi sacrificado diante da aldeia, em uma prática descrita como relacionada às tradições do povo Munduruku.
O ataque aconteceu no sábado (17), nas proximidades das aldeias Cajual e Patati. A criança estava acompanhada dos avós quando se afastou em direção a um igarapé e foi surpreendida pelo animal. Ela sofreu ferimentos graves, principalmente na região da cabeça, e precisou ser transportada de barco e avião até o Hospital Regional do Tapajós, em Itaituba, onde foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Após o ataque, moradores localizaram e capturaram a onça. A morte do animal foi apresentada por integrantes da comunidade como parte de uma tradição local. Estudos antropológicos sobre os Munduruku apontam que a relação desse povo com os animais e outros seres da floresta vai além de uma perspectiva exclusivamente biológica. Na cosmologia Munduruku, seres não humanos também podem ser compreendidos como agentes capazes de interferir na vida das aldeias.
Pesquisas também descrevem práticas ritualizadas relacionadas à forma como os Munduruku lidam com seres da floresta e com situações consideradas ameaçadoras, associadas, entre outros aspectos, à proteção e ao bem-estar coletivo. A morte do animal foi atribuída pela comunidade a uma prática tradicional do povo Munduruku.
Até o momento, não há informação de que o Ibama tenha autorizado ou se manifestado oficialmente sobre o sacrifício da onça neste caso.
A criança segue recebendo acompanhamento médico após o ataque. O caso chamou atenção tanto pela gravidade dos ferimentos quanto pela reação da comunidade após a captura do animal.