Ministério dos Direitos Humanos pagou viagem para Brasília de esposa de líder da Facção Comando Vermelho

Luciane Barbosa Farias é casada com Clemilson Farias, condenado a 31 anos de prisão por tráfico e formação de organização criminosa. "Se teve algum erro, esse erro foi de minha parte por não ter feito uma verificação mais profunda das pessoas que recebi", disse Elias Vaz.

Por Portal Giro

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O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, comandado por Silvio Almeida, custeou a ida a Brasília de Luciane Barbosa Farias, esposa de homem apontado como líder do Comando Vermelho do Amazonas.

A pasta disse que o custeio aconteceu para a participação do Encontro de Comitês e Mecanismos de Prevenção e Combate à Tortura, entre os dias 6 e 7 de novembro. A nota afirma ainda que as passagens foram pagas com orçamento desses comitês, que têm autonomia administrativa e financeira.

Disse ainda que o pagamento foi feito a todos os participantes do evento nacional e que os integrantes foram indicados pelos comitês estaduais.

"Nem o ministro, nem a secretária nem qualquer pessoa do gabinete do ministro teve contato com a indicada ou mesmo interferiram na organização do evento que, insistimos, contou com mais de 70 pessoas do Brasil todo e que franqueou aos comitês estaduais a livre indicação de seus representantes", disse a pasta, em nota.

Luciane também esteve no Ministério dos Direitos Humanos e se encontrou com a coordenadora de gabinete da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Érica Meireles. Ela é casada com Clemilson dos Santos Farias, conhecido como Tio Patinhas.

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Farias é acusado de ser um dos principais criminosos do Amazonas, sendo preso em dezembro do ano passado. Ele foi condenado a 31 anos e sete meses de prisão por associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Luciane esteve no Ministério da Justiça, pasta comandada pelo ministro Flávio Dino, em março. Ela se encontrou com o secretário de Assuntos Legislativos da pasta, Elias Vaz. Já em maio ela esteve com Rafael Velasco, secretário da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), também vinculada à pasta.

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (15) que Dino tem sofrido ataques "absurdos" e "artificialmente plantados" devido ao caso.

"Ele já disse e reiterou que jamais encontrou com esposa de líder de facção criminosa. Não há uma foto sequer, mas há vários dias insistem na disparatada mentira", escreveu Lula nas redes sociais.

Nesta segunda (13), o ministro da Justiça lançou a Força Penitenciária Nacional, corporação ligada à Secretaria Nacional de Políticas Penais. Após o evento, Dino não participou da entrevista coletiva e deixou Vaz sozinho dando explicações.

Segundo Vaz, antes do evento, Dino ligou para ele e chamou sua atenção. "Ele não ficou satisfeito, chamou a minha atenção e disse que eu teria que tomar cuidado com as pessoas que eu recebo. Eu falo isso de forma pública porque eu preciso tomar uma posição mais cautelosa", disse.

O secretário assumiu toda a responsabilidade sobre o fato e disse que ficou sabendo de quem se tratava pela imprensa. Foi Vaz quem solicitou a Velasco que também recebesse o grupo.

"Eu quero lamentar esse episódio. Primeiro, se teve algum erro, esse erro foi de minha parte por não ter feito uma verificação mais profunda das pessoas que recebi", disse Vaz.

Apesar desse episódio, membros do Ministério da Justiça dizem que Dino não tem a intenção de exonerar o secretário do cargo.

A segurança pública vem sendo um dos pontos de atenção do governo desde que Lula assumiu. O tema passou a causar mais preocupação após estados comandados por aliados do presidente aparecerem entre os mais violentos. A Bahia, por exemplo, comandada por Jerônimo Rodrigues (PT), passou por uma onda de violência histórica em setembro, com mais de 50 mortos pela Polícia Militar.

A falta de uma resposta mais efetiva colocou Dino na mira e reacendeu o debate acerca da divisão do Ministério da Justiça em dois, separando-o da Segurança Pública.

Fonte: Folha de S.Paulo