O cirurgião plástico Hudson de Almeida, de 56 anos, preso em São Paulo na última sexta-feira (21), é suspeito de ter abusado sexualmente de pelo menos 11 mulheres, segundo a Polícia Militar de Minas Gerais. As vítimas têm entre 16 e 40 anos de idade.
"Cerca de 11 mulheres relataram que, após os atendimentos, elas começaram a identificar algumas características do atendimento que direcionaram a essa suspeição de terem sido vítimas de violação sexual mediante fraude. Basicamente elas acreditavam que estavam diante de um atendimento hospitalar tradicional, dentro dos protocolos próprios, e foram enganadas", afirmou o capitão Cristiano Araújo.
Segundo ele, o médico, que atendia em Alfenas, no Sul de Minas, foi preso em um apartamento de alto luxo na Zona Sul de São Paulo, após a filha dele deixar o imóvel. Ele estava foragido desde 19 de abril.
"Na manhã de hoje, por volta das 9h, a filha dele saiu do apartamento, o que foi uma prova muito importante. Ela foi abordada e acabou entregando o pai, confessando que de fato ele se encontrava lá dentro, franqueou a entrada e, na abordagem, o foragido foi localizado dentro do apartamento. [...] No momento da prisão, ele não esboçou nenhuma reação, nenhuma resistência", disse o policial.
Hudson Almeida foi encontrado de barba e óculos, com uma aparência diferente da foto que era divulgada pela polícia.
"Provavelmente desde abril ele estava sem fazer a barba, exatamente para tentar dificultar esse processo de identificação", afirmou o capitão.
A prisão do médico é resultado de trabalho conjunto da Polícia Militar e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Foto: Reprodução
De acordo com o MPMG, o cirurgião iniciava o atendimento das vítimas de forma profissional, realizando atos típicos e próprios do ofício. Porém, a certa altura, passava a praticar o abuso sexual sem que as próprias vítimas percebessem, no momento, que estavam sendo abusadas.
Segundo a Polícia Militar, Hudson Almeida deve ser transferido para Minas Gerais nos próximos dias.
Quem é Hudson Almeida
O médico é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Em Alfenas, atendia em uma clínica particular de propriedade dele e na Santa Casa. Já teve passagens também pelo Hospital Alzira Velano, de onde se desligou.
O médico responde a dois inquéritos por abuso sexual mediante fraude. Em um deles, de 2021, três mulheres o denunciaram. Em outro inquérito, encerrado em março, uma mulher de 33 anos acusou o médico por abuso sexual.