A Justiça Federal suspendeu uma licitação do Ministério da Saúde para a compra de 60 milhões de kits de higiene bucal, que incluíam escovas de dente, creme dental e fio dental. O Tribunal de Contas da União (TCU) também apontou irregularidades no processo, destacando que o edital limitava a concorrência e que não havia justificativa para a urgência na compra, que seria realizada em apenas quatro dias. Em resposta às críticas, o Ministério da Saúde decidiu revogar a licitação sem tentar reverter a decisão judicial.
A licitação, sob a responsabilidade do secretário-executivo da Saúde, Swedenberger Barbosa, previa a aquisição dos kits para o programa Brasil Sorridente, com distribuição prevista durante o período eleitoral. A área jurídica do próprio ministério havia alertado sobre o risco da compra ser vista como "publicidade institucional" ou "distribuição gratuita de bens". Além disso, o custo estimado da contratação, que poderia variar entre R$ 348 milhões e R$ 589 milhões, foi mantido sob sigilo, sem justificativa adequada, o que levantou suspeitas.
O TCU e a Justiça Federal criticaram a redução dos prazos para apresentação de propostas e entrega de amostras, que foram considerados restritivos e limitadores para a participação de empresas no processo. A justificativa do ministério de que a urgência visava "prevenir cáries" foi considerada insuficiente pelas autoridades. A decisão do TCU, agora, exige que o edital seja reformulado caso o Ministério da Saúde decida seguir com a compra dos kits de higiene bucal.