Morador de Itaituba, o balconista Eliabe Ferreira Mendes, de 32 anos, realizou na última quarta-feira (09) uma cirurgia neurológica inédita no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), localizado no distrito de Icoaraci, em Belém. Está foi a primeira vez desde sua inauguração que o Hospital realizou esse tipo de cirurgia, com paciente acordado. A intervenção de alta complexidade, foi motivada por uma malformação arteriovenosa (MAV). Com quase 12 horas de procedimento, a cirurgia foi considerada um sucesso pela equipe médica. O paciente reage bem e deve receber alta até o próximo domingo (13).
Financiada pelo governo no Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESPA), a cirurgia era aguardada há três anos por Eliabe. Ele aguardou a intervenção com a esperança de poder seguir sua rotina normalmente. "Estou ansioso e feliz por ter chegado o dia da cirurgia. Há três anos não consigo realizar minhas atividades diárias e laborais em virtude do comprometimento da visão, que ora fica turva, ora sinto tonturas”, relatou antes do procedimento.

Os profissionais cortaram com o auxílio do microscópio de neurocirurgia. (Foto: Reprodução)
Os primeiros sintomas, dores na cabeça, foram sentidos quando Eliabe realizava suas atividades em casa. No entanto, o alerta mais evidente foi quando ele teve uma forte convulsão. Imediatamente, foi levado ao Pronto Socorro Municipal de Itaituba. As crises convulsivas não pararam. Foram cinco até ser diagnosticado com a doença, no Hospital Regional do Baixo Amazonas, em Santarém, em 2019.
O paciente, com indicação cirúrgica de embolização cerebral, foi encaminhado a Belém para fazer a intervenção no ano passado. Porém, o tão aguardado procedimento foi adiado para 2021 em função da pandemia de Covid-19.
Emocionada, Maria Creusa Ferreira, mãe de Eliabe, disse aguardar por dias melhores na sua família. “Chegou o grande dia. Estamos ansiosos, mas acreditamos em Deus e na equipe médica que o está acompanhando. Agora, só quero meu filho bem”, disse.
Alta complexidade
A cirurgia teve o auxílio do microscópio de neurocirurgia, e contou com a monitorização neurológica intraoperatória, exclusiva para o procedimento. O secretário de Estado de Saúde Pública, Rômulo Rodovalho, explicou que o Hospital Abelardo Santos vem se adequando às novas tecnologias, como forma de reduzir os riscos e evitar sequelas aos pacientes.
Procedimento
A correção da patologia foi feita com um procedimento que acessa o crânio do paciente. “Para esta cirurgia, contamos com o auxílio de microscopia cirúrgica para abordar a malformação. Ainda durante esse procedimento cirúrgico o paciente, sob anestesia geral, foi acordado e monitorado por um profissional neurofisiologista, para ver as reações neurológicas conforme a realização do procedimento”, explicou Carlos Henrique Vasconcelos de Menezes, coordenador médico de Especialidades Cirúrgicas.

Os profissionais que participaram do procedimento. (Foto: Reprodução)
O médico também explicou que a patologia a ser corrigida é uma malformação em que uma artéria e uma veia formam um aneurisma intracraniano. “Esse problema pode acarretar um aumento de volume local, gerando problemas como náuseas frequentes, convulsões, cefaleia e, em algumas situações, pode haver sangramentos e rompimento, que em casos graves pode até mesmo levar ao óbito”, informou.
“Fizeram parte do procedimento de alta complexidade o neurocirurgião titular e mais quatro auxiliares, uma instrumentadora cirúrgica, médico anestesiologista, médico neurofisiologista e uma equipe de técnicos de enfermagem e enfermeiros”, informou o diretor Técnico do hospital, Paulo Henrique Ataíde.