A investigação sobre Amanda Maria Souza Oliveira, de 37 anos, continua revelando novos detalhes sobre os personagens criados por ela para enganar famílias e instituições em diferentes estados do Brasil. Além de se apresentar como uma menina de 12 anos, a mulher também teria assumido a identidade de uma adolescente chamada Emilly, que alegava ter câncer e uma história marcada por tragédias pessoais.
Segundo as apurações, Amanda afirmava que a personagem havia sido vítima de abuso em um hospital, perdido os pais de forma trágica e enfrentava uma vida de dificuldades. As histórias eram utilizadas para sensibilizar pessoas e conseguir acolhimento e apoio.
A mulher foi presa após ser descoberta vivendo com uma família que acreditava estar acolhendo uma adolescente em situação de vulnerabilidade. De acordo com a Polícia Civil, para sustentar o disfarce, ela alegava ser autista e possuir outras condições de saúde, afirmando ainda que sua aparência adulta era consequência do uso forçado de hormônios durante a infância.
As investigações apontam que Amanda também adotava comportamentos infantilizados, utilizando mamadeiras, chupetas e objetos infantis. Conforme a polícia, ela afinava a voz, simulava crises de pânico e demonstrava carência emocional para conquistar a confiança das pessoas.
A família que a acolheu chegou a organizar uma festa de aniversário de 12 anos, custear medicamentos e demonstrar interesse em formalizar uma adoção. No entanto, segundo o delegado responsável pelo caso, a suspeita evitava qualquer assunto relacionado à documentação e não frequentava a escola. “A menina não ia para a escola porque conseguiu convencer a família adotiva de que, se fosse para a escola, o ‘pai abusador’ saberia onde ela está”, relatou.
A fraude foi descoberta após a denúncia de um parente. A investigação também aponta que Amanda é suspeita de aplicar golpes semelhantes em pelo menos seis estados brasileiros, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Durante depoimento, Amanda afirmou sofrer de transtornos mentais desde a adolescência. A defesa busca comprovar insanidade mental, enquanto as autoridades continuam apurando os fatos e a possível participação dela em outros casos semelhantes.