Indígenas da aldeia Inhaã-bé, localizada às margens do rio Tarumã-Açu, na zona rural de Manaus (AM), realizaram um ritual na última sexta-feira (28) para enviar boas energias ao filme brasileiro "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles. A produção concorre em três categorias na premiação, que acontece neste domingo (2), com transmissão ao vivo pela TV Globo e g1.
O ritual foi conduzido pela pajé-curandeira A-yá Kukamíria, do povo Kukama, e incluiu uma bênção para o filme e os presentes, um canto de guerra e a tradicional defumação, com o objetivo de emanar energias positivas. A cerimônia ocorreu em frente à primeira sala de cinema em território indígena da região Norte, inaugurada no início de fevereiro. Ao final, A-yá abençoou uma projeção da estatueta do Oscar, com os dizeres: "O Oscar é nosso".
Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme narra a trajetória de Eunice Paiva, mãe do autor, interpretada por Fernanda Torres, que concorre ao prêmio de Melhor Atriz. A personagem, que passou 40 anos em busca da verdade sobre o desaparecimento de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, assassinado durante a ditadura militar, foi destacada pela pajé como um símbolo de luta e identificação para todos os brasileiros.
Thaís Kokama, produtora indígena responsável pela sala de cinema, explicou que o ritual também foi uma homenagem à trajetória de Eunice Paiva, que, após vivenciar a ditadura, dedicou sua vida a causas indígenas e à defesa dos direitos humanos. "Ela já fazia ativismo em 1971, ajudando na demarcação de terras. O filme vai levar a história dessa mulher guerreira ao mundo", afirmou Thaís.
A cerimônia reforça a expectativa de que "Ainda Estou Aqui" possa se tornar o primeiro filme brasileiro a conquistar uma ou mais estatuetas no Oscar. A premiação será realizada em Los Angeles, com transmissão ao vivo a partir das 20h (horário de Brasília) deste domingo.