Homem em situação de rua incendiado por jovem em transmissão ao vivo relata momento de terror

Ludierley Satyro José, de 46 anos, vítima de um ataque brutal com coquetéis molotov na Zona Oeste do Rio, relatou em entrevista o momento em que foi queimado enquanto dormia em uma calçada. "Eu só escutei o barulho e senti todo o meu corpo queimando. Quando eu vi, eu estava todo em chamas", descreveu Ludierley, que teve quase 60% do corpo queimado.

Por Portal Giro

Foto: Reprodução

O auxiliar de serviços gerais Ludierley Satyro José, de 46 anos, vítima de um ataque brutal com coquetéis molotov no Pechincha, Zona Oeste do Rio, relatou em entrevista o momento em que foi queimado enquanto dormia em uma calçada. "Eu só escutei o barulho e senti todo o meu corpo queimando. Quando eu vi, eu estava todo em chamas", descreveu Ludierley, que teve quase 60% do corpo queimado. Ele está internado no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital do Andaraí, onde enfrenta um complexo tratamento de saúde.

O crime, ocorrido entre a noite de terça-feira (18) e a madrugada de quarta (19), foi filmado e transmitido ao vivo pelo aplicativo Discord, plataforma popular entre jovens. Ludierley, que vive em situação de rua há alguns anos, lembra que acordou em chamas e tentou apagar o fogo sozinho, já que não havia ninguém por perto. "Tirei toda roupa e fiquei pelado na rua para apagar o fogo", contou.

O adolescente de 17 anos que ateou fogo em Ludierley foi preso na quinta-feira (20), após a avó e a irmã reconhecerem o jovem no vídeo que circulou na internet. No dia seguinte, o militar do Exército Miguel Felipe dos Santos Guimarães da Silva, de 20 anos, que filmou o ataque, também foi detido. Ambos foram flagrados com conteúdo de abuso sexual infantil em seus celulares. Segundo o delegado Cristiano Maia, o crime teria sido motivado por um desafio na rede social, com o adolescente recebendo cerca de R$ 2 mil para cometer o ato.

Ludierley, ainda abalado, expressou tristeza ao refletir sobre a crueldade do ataque. "A pessoa poderia estar assistindo televisão, comendo uma pizza, tomando uma Coca-Cola, e vai tirar uma vida por causa de um prêmio? Mil reais? Não compensa", lamentou.

O filho de Ludierley, de 7 anos, também foi impactado pela violência sofrida pelo pai. A mãe do menino, Beatriz Silva de Oliveira, relatou que a criança ficou traumatizada após ver as imagens do ataque no jornal. "Ele desenhou um rapaz tacando fogo no pai dele. Isso é muito triste. É desumano", desabafou Beatriz.

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Fonte: G1