O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou nesta quinta-feira (6) medidas para reduzir o preço de alimentos, incluindo a eliminação das tarifas de importação de produtos como carne, café, açúcar, milho, azeite de oliva, óleo de girassol, sardinha, biscoitos e massas alimentícias. As novas alíquotas, que passarão de até 32% para 0%, devem entrar em vigor "em poucos dias", segundo Alckmin. O objetivo é aliviar a pressão da inflação sobre os preços dos alimentos, uma das principais preocupações do governo Lula devido ao seu impacto direto na percepção da população sobre a gestão.
As medidas foram anunciadas após reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros e representantes do setor de alimentos e abastecimento no Palácio do Planalto. Alckmin destacou que o governo está "abrindo mão de imposto em favor da redução de preço", visando beneficiar os consumidores. Ele afirmou que a medida não deve prejudicar os produtores nacionais, já que os preços dos alimentos variam ao longo do tempo e a redução de tarifas ajudaria a complementar a oferta interna.
Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, explicou que muitos dos produtos beneficiados têm um volume pequeno de importação no Brasil, justamente devido às altas tarifas. A isenção, portanto, não deve gerar perdas significativas para a arrecadação do governo. O objetivo é aumentar a competição e a competitividade no mercado interno, o que pode resultar em preços mais baixos para os consumidores.
Ainda segundo Mello, o impacto financeiro das medidas, tanto para o governo quanto para os consumidores, ainda está sendo calculado. Ele ressaltou, no entanto, que as mudanças devem ter um efeito positivo para a população, mesmo que o impacto na arrecadação seja limitado. As notas técnicas com as estimativas detalhadas ainda estão em elaboração.
A inflação dos alimentos tem sido um dos principais desafios do governo Lula, contribuindo para a crise de popularidade enfrentada pelo presidente. As medidas anunciadas buscam aliviar essa pressão, mas especialistas alertam para a necessidade de monitorar os efeitos sobre os produtores nacionais e a economia como um todo.