O acidente com um avião modelo ATR da Voepass ocorrido na tarde de sexta-feira (9) em Vinhedo, São Paulo, está sendo investigado, e uma das possíveis causas apontadas é a formação de gelo nas asas da aeronave. Raul Marinho, piloto e presidente do Grupo Brasileiro de Segurança da Aviação Geral (BGAST), explicou que o acúmulo de gelo pode alterar a curvatura das asas, essencial para a sustentação do avião. "Se a curvatura muda muito, a aeronave perde a sustentação e se comporta como uma pedra", afirmou Marinho.
Ele detalhou que essa perda de sustentação pode ter causado o voo em espiral do avião, caracterizado por uma queda vertical sem velocidade horizontal. "Quando o avião entra em um 'parafuso chato', é quase impossível recuperar o controle", explicou Marinho.
O modelo ATR da Voepass envolvido no acidente possui dois gravadores que podem fornecer informações cruciais para entender o que ocorreu. Segundo Adalberto Febeliano, especialista em Transporte Aéreo pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), esses gravadores podem ter registrado o funcionamento dos motores e as condições do momento da queda, facilitando a reconstituição do voo. A investigação oficial é aguardada para confirmar as causas exatas do acidente.