O senador Flávio Bolsonaro (PL) condicionou, nesta quarta-feira (21) durante cumprimento de agenda em São Paulo, a abertura de sigilo bancário e telefônico, proposta pelo seu adversário, o presidente Lula (PT), a uma ampliação do escopo da autorização enviada esta semana pelo petista ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
— Ele fez um desafio feio para mim. O Lula nem tem celular, como é que ele quer abrir o sigilo do telefone dele? Só que eu não só vou aceitar o desafio, como eu vou levar até as últimas consequências — alegou o candidato.
Flávio pediu a extensão da quebra de sigilo ao telefone usado por Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula suspeito de manter relações com uma lobista investigada no caso das fraudes do INSS.
— Eu abro meu sigilo do telefone sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda? — disse Flávio, acusando o atual presidente de ser o dono oculto do sítio de Atibaia e do triplex do Guarujá, casos pelo qual o petista foi condenado na Lava Jato, em sentenças posteriormente anuladas por ilegalidades no processo.
— O meu patrimônio é todo declarado para a Justiça Eleitoral, para a Receita Federal. É declarado pra quem quiser. Minha vida é um livro aberto. O problema não é quem declara o patrimônio, porque o meu patrimônio foi construído com muito suor — rebateu.
Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal em dois inquéritos em andamento. Um deles apura o pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cujos pagamentos foram direcionados a um fundo americano sem transparência que teria a finalidade de bancar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O outro, revelado esta semana, investiga possíveis crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo pessoal de Flávio, e casas de apostas. Um relatório indica que Tomaz teve a maior movimentação financeira de todo o país nesse tipo de plataforma em 2025, com pelo menos R$ 258 milhões em aportes diretos.