O jornal O Liberal entrevistou a família da influenciadora Luma Bony, filha do fundador de uma das maiores redes de academia da região oeste do Pará, a Bony Fit, que tem filial em Itaituba. A jovem se jogou de um prédio no Centro de Belém, após ter um vídeo íntimo vazado por um homem identificado como Maurício César Mendes Rocha Filho, de 25 anos. Ele foi preso na última sexta-feira (9), no bairro do Jurunas. A prisão ocorreu na mesma data em que a morte de Luma completou um mês. Na internet, o movimento #JustiçaPorLumaBony ganha força para pedir Justiça ao caso, bem como encorajar outras vítimas do suspeito a fazerem a denúncia.
O pai de Luma, o empresário Bony Monteiro, conta que, à época da morte de Luma, a família ainda não fazia ideia da passagem de Maurício César pela vida da filha. Ele conta que há quase um ano a filha morava com o namorado, que era músico, e com quem tinha uma relação tranquila. Luma também tinha boa convivência com amigos e familiares e relação de amizade com dezenas de seus seguidores na internet.
“Ele [Maurício César] não fazia parte da vida da Luma. Era uma pessoa que a gente sequer tinha ouvido falar. A gente também não tomou conhecimento da existência dele de imediato. Quando a Luma morreu, levou um tempo até a gente descobrir como ele conseguiu entrar na vida dela. Ele mesmo em áudio confessa que conheceu a Luma no mesmo dia do crime”, narra o pai.
Bony conta que, depois que soube da morte da filha, a família começou a receber mensagens de desconhecidos via WhatsApp, comentando sobre um vídeo de Luma que circulava pelas redes sociais. Uma das mensagens dizia: "A sua filha não morreu como você acha que morreu. Tem mais coisa". Isso fez com que o empresário buscasse a Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Pará (PC).
A partir de então, o vídeo íntimo em que Luma aparece com o suspeito - estando ela visivelmente inconsciente - chegou até a família. O conteúdo havia sido publicado por Maurício César na própria rede social, dois dias antes da morte de Luma, no dia 6 de novembro, por volta das 18h30 – dia em que se conheceram. Foi quando a família começou a investigar o que teria acontecido.
“A gente nem precisou ir atrás, porque pessoas que já foram vítimas dele vieram até nós e contaram tudo que ele fazia. O que ele fez com a Luma não foi a primeira vez, mas com a Luma o caso chegou mais longe. Algumas já foram à delegacia, e a gente espera que outras também tomem coragem”, pondera Bony Monteiro.
Por meio de relatos e também de mensagens em áudio trocadas por Luma com amigos, no mesmo dia em que teve o vídeo íntimo vazado, a família soube que Luma estava recebendo mensagens insistentes de Maurício César para que se encontrassem em um sítio, para uma suposta festa de família, ainda pela manhã. Naquele mesmo dia, Luma teria bebido após um desentendimento com o namorado, o que teria colaborado para que ela aceitasse o convite, depois de muitas negativas.
“Ela estava bêbada. Em várias mensagens, trocadas com amigas, ela fala como ele estava insistindo. Ela acabou cedendo. A gente descobriu, depois, que, chegando ao sítio, ele comprou ainda mais bebida no cartão dela, embebedou ainda mais a minha filha, drogou ela – o laudo da perícia mostra que ele deu LSD para a minha filha – e convenceu ela a sair de lá com ele. Ele disse que ia levar a Luma até a casa da avó dela, mas antes, precisava deixar uma mochila na casa dele e ela foi”, relata o pai de Luma.
Bony conta que Luma foi levada por Maurício César até a casa dele, onde ele morava com a mãe, a avó, o irmão e a cuidadora da avó. Lá, ele consumou violência sexual contra Luma, que já estava desacordada, e gravou a ação.
Mais tarde, ele deixou Luma na casa da avó, em um edifício no centro da cidade, e foi embora. Nos dias seguintes, segunda e terça-feira, 7 e 8 de novembro, Luma não chegou a entrar em contato com a mais ninguém, a não ser com a avó, para quem teria pedido R$ 2.500, sem explicar o motivo. A avó teria negado o dinheiro. Na quarta-feira, 9, Luma foi encontrada morta após cair do sétimo andar.
“A gente não entendia porque ela teria pedido aquele dinheiro. Hoje a gente sabe que ele fez chantagem com o vídeo onde ela é violentada. Isso depois de ter publicado um vídeo no próprio Instagram, que é aberto, e marcado a minha filha na publicação. A gente só pode imaginar como estava a cabeça dela naquela hora. Depois, as outras vítimas já nos contaram que ele tinha a prática de extorquir, ameaçando elas com os vídeos”, detalha o pai.
A Polícia Civil do Pará (PC) não informa quantas outras mulheres já foram vítimas de Maurício César, mas confirma que o suspeito possui histórico por já ter divulgado vídeos íntimos e ameaçado outras mulheres. Além disso, Maurício também possui passagem na polícia por outros crimes.