Um entregador disse ter sido “caçado” e ameaçado com uma arma na cabeça por um cliente depois que se negou a subir para deixar o lanche. Parte da confusão foi gravada.
O episódio foi na noite do último sábado (10), em Niterói. O motoboy Leonardo Muniz Soares contou que aceitou um pedido para pegar um lanche no McDonald's em Itaipu e entregar no condomínio Viamar Residence Club, localizado na Estrada Velha de Maricá, em Várzea das Moças, numa corrida de 9 km.
Ao chegar ao Condomínio Viamar, Leonardo pediu para o porteiro chamar a cliente a fim de que ela fosse buscar o lanche na entrada. A cliente, por sua vez, desceu e encontrou o entregador na portaria, aos gritos.
"Todo mundo sobe, só você que não quer subir?" perguntou alterada.
Leonardo explicou que conforme o regulamento da plataforma, não era obrigado a subir, além disso, explicou que teria feito uma cirurgia no quadril há seis meses e ainda tinha dificuldade de locomoção.
Antes de realizar a entrega, Leonardo solicitou o código de efetivação de entrega que o aplicativo fornece aos clientes para que sejam informados aos entregadores, mas a cliente não quis dar a informação e ligou para o marido. Em seguida, com a recusa, Leonardo também não quis entregar o lanche e foi embora. Chegando no restaurante, encontrou o casal esperando na frente do estabelecimento, localizado na Estrada Francisco Nunes da Cruz, em Itaipu, Niterói.
Em seguida, o marido da cliente, ainda não identificado, apontou uma arma para Leonardo. Segundo testemunhas, o marido ainda tentou disparar algumas vezes contra o entregador, mas não conseguiu por alguma falha na arma. Testemunhas também afirmaram que a mulher teria se atirado na frente do marido para impedi-lo.
Assustado, Leonardo tentou correr mas esbarrou em uma moto e caiu, ficando levemente ferido. O entregador foi socorrido e levado por um colega de trabalho para o Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) do bairro Cafubá, em Niterói. E também pediram ajuda para policiais de plantão, os entregadores e agentes voltaram ao local, mas o casal já tinha ido embora.
"Eu estou muito traumatizado, não estou conseguindo trabalhar. Alguns colegas que ficam na frente desse restaurante onde tudo aconteceu me falaram que no domingo um carro preto passou por eles fazendo fotos das placas das motos. Eu trabalho como motoboy há dez anos, estou há três meses no iFood, e nunca pensei que isso fosse acontecer comigo. Eu tenho duas filhas e uma mulher, tenho família para sustentar, não posso ficar sem trabalhar, mas como volto com essa ameaça?" disse Leonardo em entrevista.
O entregador Leonardo Soares e uma testemunha entregaram à Polícia Civil do Rio de Janeiro o documento de medida protetiva, no fim da tarde de terça-feira (13). As informações foram fornecidas pelo advogado de Leonardo, Daniel Aguiar.
O delegado titular da 81° DP (Itaipu), Lauro César Rangel, vai protocolar o pedido para o Juizado Especial Criminal de Niterói, que decidirá, na parte das versões ouvidas, se irá conceder a medida à vítima.
Regulamento do Ifood
Segundo a plataforma, os entregadores devem entregar no primeiro contato da residência da pessoa. Caso seja um condomínio, o primeiro ponto é a portaria. Deste modo, fica não obrigatória a ida do entregador à porta da residência dos clientes.