A Secretaria Municipal de Educação de Novo Repartimento, no Sudeste do Pará, apura a conduta de uma professora durante uma atividade em sala de aula. Um vídeo, gravado pela própria docente, registra o momento.
Na gravação, a professora registra com o celular os alunos fazendo uma atividade sobre a páscoa. Os estudantes são da faixa etária dos 4 anos de idade e estudam em uma escola na zona rural do município.
Em um determinado momento a professora se descontrola, o vídeo fica instável e chega a dar a impressão de ter havido também uma agressão física.
“Menino, tu não estás vendo que eu estou fazendo vídeo não? Gente, como é que tem um menino insuportável desse?”, diz a professora em trecho do vídeo.
Após o ocorrido, a educadora infantil explicou o que teria acontecido e pediu desculpas. "Em momento nenhum, quem conhece meu trabalho sabe, só que tem horas que eu reconheço que eu errei, eu sei que tem hora que a gente sai do trilho e a gente não pode fazer isso", afirma.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informa que foi determinado o imediato afastamento da professora de suas funções e que um processo administrativo será aberto para apurar o caso. Em conversa com a reportagem, o secretário de Educação de Novo Repartimento, Elenilton Cruz, contou que o vídeo foi gravadado na última terça-feira (4), na Escola de Ensino Infantil e Fundamental Santa Ana, na comunidade Novo Planalto, uma vila da zona rural localizada a 110 quilômetros da sede do município.
“Essa é uma professora com quase 30 anos de serviço público, deu aula para os pais dessas crianças que estão hoje em sala de aula e nunca teve qualquer reclamação dessa natureza. Ela já está até aposentada, mas não deixou de lecionar”, disse o secretário.
Ainda segundo Elenilton, a equipe Pedagógica da Secretaria de Educação esteve na escola para conversar com a servidora pública e com os pais da criança. “A professora está muito abalada e já se desculpou com a família do menino. Disse que estava de cabeça quente, que não teve a intenção, mas a mãe da criança não quer mais a professora ensinando o seu filho”, disse.
“A servidora contou que, no momento em que o vídeo balançou foi porque ela teria tropeçado e nega ter agredido a criança fisicamente”, esclareceu Elenilton Cruz, ressaltando que ainda assim o episódio será apurado, já que a agressão verbal está registrada.
Há entre os professores do município o hábito de registrar as atividades das crianças, como uma espécie de acompanhamento dos pais. “Eles mandam nos grupos de Whatsapp para que os responsáveis tomem ciência do que está sendo feito em sala”.
Na quarta-feira (05), o Conselho Tutelar esteve na Escola Santa Ana e também vai acompanhar o caso. De acordo com a Secretaria de Educação, a criança mostrada no vídeo e a família estão recebendo toda assistência do município após o ocorrido, inclusive apoio psicológico.