Um corpo com sinais de violência foi encontrado na noite de quinta-feira (22) no bairro Rio Pequeno, na zona oeste de São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), esse é ao menos o 17º homicídio registrado na capital e na Região Metropolitana desde o início de setembro dentro do conjunto de casos que vêm sendo analisados pelas autoridades.
A Polícia Militar informou que foi acionada por volta das 20h50 para atender a uma ocorrência de encontro de cadáver na Rua Paulo da Silva. No local, os agentes encontraram o corpo amarrado. A área foi isolada para a realização da perícia, e o caso foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Em nota enviada ao Estadão nesta sexta-feira (23), a SSP informou que a Polícia Civil investiga individualmente 17 ocorrências registradas como homicídio desde 5 de setembro. Destas, 14 ocorreram na capital, incluindo o caso do Rio Pequeno, enquanto outras três foram registradas em Itapecerica da Serra, Diadema e São Bernardo do Campo.
Segundo a pasta, até o momento não há elementos que indiquem ligação entre os crimes ou uma mesma autoria. A SSP destacou que os casos apresentam dinâmicas e circunstâncias diferentes e que o fato de alguns corpos terem sido encontrados em sacos plásticos, tecidos ou cobertores, isoladamente, não permite estabelecer relação entre as ocorrências.
Outros dois corpos foram encontrados na quinta-feira nas zonas oeste e leste da capital. Esses casos, porém, são investigados como mortes suspeitas pelo 7º Distrito Policial, da Lapa, e pelo 69º Distrito Policial, de Teotônio Vilela. De acordo com a SSP, as vítimas não apresentavam sinais de violência, e as investigações aguardam os resultados dos laudos periciais.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, afirmou que não há indícios de que os homicídios registrados tenham sido cometidos pela mesma pessoa. A Polícia Civil também descarta, até o momento, a hipótese de atuação de um assassino em série.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Arthur Dian, todos os casos são apurados separadamente e, posteriormente, os resultados das investigações são comparados em busca de possíveis semelhanças. Até agora, nenhuma ligação entre as ocorrências foi identificada.
A SSP informou ainda que alguns dos casos já possuem suspeitos distintos e que mandados de prisão preventiva foram expedidos. Até a última semana, a Justiça de São Paulo havia decretado a prisão temporária de três suspeitos por envolvimento em algumas das mortes.
Uma das linhas de investigação apura se o trio teria relação com o chamado “tribunal do crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC), espécie de estrutura paralela utilizada pela facção para aplicar punições.
A diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, afirmou que as investigações apontam, até o momento, para motivações diferentes entre os casos, incluindo crimes de natureza sexual e ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas.
Nas redes sociais, publicações levantaram a hipótese de que as mortes estariam relacionadas à atuação de um possível “serial killer”, principalmente devido à forma como alguns corpos foram encontrados. A Polícia Civil, no entanto, afirma que não há evidências que sustentem essa possibilidade até o momento.