"Conspirando contra o Brasil": líder do PT pede prisão de Eduardo Bolsonaro ao STF

Deputado do PT afirma que Eduardo Bolsonaro atuou para impor sanções estrangeiras ao Brasil

Por Portal Giro

Os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ) (Mário Agra/Câmara dos Deputados/Reprodução) Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/maquiavel/apos-tarifaco-lider-do-pt-pede-a-moraes-a-prisao-de-eduardo-bolsonaro/

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da bancada do PT na Câmara, protocolou na sexta-feira (11) um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) requerendo a prisão preventiva de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo Lindbergh, o parlamentar licenciado cometeu crimes graves ao buscar sanções internacionais contra o Brasil e autoridades do Judiciário, especialmente contra o ministro Alexandre de Moraes.

A nota oficial foi enviada à imprensa pela bancada do PT, na qual ele classifica as ações de Eduardo Bolsonaro como “traição à pátria”, “golpe continuado” e “sabotagem econômica”.

“Quem conspira com o estrangeiro contra seu próprio país não é opositor — é traidor da pátria”, afirma Lindbergh, em tom contundente.

O parlamentar destaca que, ainda em maio, apresentou uma representação criminal à Procuradoria-Geral da República (PGR) com um “robusto conjunto probatório” contra Eduardo Bolsonaro, o que levou o procurador-geral Paulo Gonet a pedir a abertura de inquérito ao STF. O ministro Alexandre de Moraes acolheu os argumentos e instaurou o Inquérito 4995/DF, autorizando diligências imediatas.

No centro da acusação está a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde, segundo Lindbergh, o deputado buscou sanções contra autoridades brasileiras ao lado do comentarista Paulo Figueiredo. A nota divulgada recentemente pelos dois, pedindo a aplicação da “Lei Magnitsky” contra membros do STF, seria, segundo o petista, a prova documental de uma articulação internacional contra o Brasil.

Para Lindbergh, o resultado dessas manobras se concretizou no anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros feito por Donald Trump, presumível retaliação articulada por Eduardo e seu grupo. “É a primeira vez na história do País que um deputado federal trabalha ativamente contra sua própria nação com apoio de uma potência estrangeira”, denuncia.

Além da representação criminal, Lindbergh e o PT também protocolaram pedido de cassação de Eduardo no Conselho de Ética da Câmara, por entenderem que sua conduta fere o decoro parlamentar.

Na nova petição ao STF, o líder do PT pede a ampliação do escopo do inquérito e o envio de cópia ao Itamaraty para avaliar o cancelamento do passaporte diplomático de Eduardo Bolsonaro. Ele também argumenta que a liberdade do parlamentar representa risco de continuidade delitiva.

Entre os crimes que Lindbergh afirma estarem em curso, estão:

Coação no curso do processo (art. 344 do Código Penal);

Obstrução de justiça;

Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;

Atentado à soberania nacional;

Associação criminosa;

Violação à integridade funcional de magistrados e membros do MP (Decreto-Lei 4.766/42).

Segundo o petista, as ações de Eduardo foram financiadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que admitiu ter enviado R$ 2 milhões ao filho para mantê-lo nos Estados Unidos. Com isso, Lindbergh aponta que o ex-presidente pode ser coautor dos crimes, por sustentar uma estrutura “criminosa com atuação internacional”.

Para o deputado, os fatos mostram que o golpe de 8 de janeiro de 2023 não foi um episódio isolado, mas parte de uma ofensiva contínua com novas formas: “diplomática, econômica e transnacional”.

“A Constituição, a soberania nacional e a democracia não são negociáveis”, finaliza Lindbergh.

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Fonte: Brasil 347