Imagens registradas por drone mostram pelo menos duas pessoas ateando fogo em uma área de vegetação próxima a residências no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, a cerca de 27 quilômetros de Manaus. O flagrante, obtido pela TV Globo, ocorreu no dia 7 de outubro, em meio ao aumento dos incêndios florestais e à intensa fumaça que voltou a atingir diferentes regiões do Amazonas.
Nas imagens, duas pessoas aparecem próximas ao ponto onde o fogo começa. Em seguida, uma delas se afasta, enquanto a outra retorna e lança objetos na área, aumentando as chamas. Até o momento, os envolvidos não foram identificados e não há confirmação de prisões.
O registro ocorreu cinco dias depois de um incêndio de grandes proporções atingir uma área de vegetação no mesmo distrito, em 2 de outubro. Na ocasião, as chamas chegaram a ser vistas das margens do Rio Negro, em Manaus. As circunstâncias dos incêndios são investigadas pelas autoridades.
Monitoramento aéreo é reforçado
A proximidade das chamas com áreas residenciais aumenta a preocupação com a segurança da população, além dos impactos ambientais e da piora na qualidade do ar.
Diante do avanço das queimadas, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) reforçou o monitoramento aéreo com drones equipados com câmeras térmicas. Os equipamentos também podem operar durante a noite e são utilizados para localizar focos de incêndio em áreas de difícil acesso e identificar movimentações consideradas suspeitas.
Quando um foco ou possível irregularidade é detectado, as imagens e as coordenadas geográficas são encaminhadas às equipes que atuam em solo para agilizar o atendimento.
Somente na primeira quinzena de outubro, o Amazonas registrou mais de 1,8 mil focos de calor, agravando a situação principalmente na Região Metropolitana de Manaus.
Fumaça afeta rotina e aumenta procura por atendimento médico
Desde o fim de agosto, incêndios vêm sendo registrados em diferentes pontos do estado. Em Itacoatiara, um incêndio na região do Rio Urubu permaneceu ativo por mais de 40 dias, enquanto outro foco atingiu mais de 1,3 mil hectares na área do Lago do Canaçari.
Em Manaus, um incêndio no bairro Distrito Industrial II durou mais de 48 horas e contribuiu para a piora da qualidade do ar.
A fumaça também atingiu municípios como Itacoatiara, Manacapuru e Autazes. Diante das condições, atividades ao ar livre e aulas das redes públicas foram suspensas em alguns locais, enquanto a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também interromperam atividades acadêmicas.
Na área da saúde, Manaus registrou 559 atendimentos médicos relacionados aos efeitos da fumaça entre os dias 1º e 17 de outubro.
Governo federal reforça operações e atendimento do SUS
Diante da situação, o governo federal anunciou no domingo (18) o reforço das operações de combate aos incêndios no Amazonas. A estrutura passou a contar com 16 aeronaves, quatro esquadrões de helicópteros, dois navios e um contingente ampliado de brigadistas.
Também foi criado um Estado-Maior Conjunto para integrar as ações das Forças Armadas e dos órgãos ambientais envolvidos no combate aos incêndios.
Na área da saúde, uma base descentralizada da Força Nacional do SUS será instalada em Manaus nesta terça-feira (20), com o objetivo de apoiar a rede de atendimento e ampliar a assistência às pessoas afetadas por problemas respiratórios relacionados à fumaça.