Bolsa paralisa negociações pela primeira vez desde 2020 após fortes perdas com vitória de Lula

O risco-Brasil, indicador que mede a percepção dos investidores sobre o risco de investir no país, registrava alta de 27% às 10h34 desta segunda-feira (26).

Por Gabriele Rodrigues

Foto: Reprodução

A Bolsa de Valores brasileira (B3) acionou o mecanismo de segurança conhecido como circuit breaker na manhã desta segunda-feira (26), após o Ibovespa registrar uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior. A forte desvalorização ocorreu em meio à reação do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

Esta é a primeira vez que o mecanismo é acionado desde março de 2020, quando a Bolsa brasileira enfrentou sucessivas quedas durante o início da pandemia de Covid-19.

O circuit breaker funciona como uma espécie de freio de emergência do mercado financeiro. Quando o Ibovespa, principal índice da Bolsa, registra queda de 10%, as negociações são interrompidas por 30 minutos para reduzir os efeitos de movimentos bruscos e permitir que os investidores reavaliem suas decisões.

Caso a desvalorização alcance 15% após a retomada das operações, ocorre uma nova paralisação, desta vez por uma hora. Se as perdas chegarem a 20%, a B3 poderá determinar outra suspensão, por um período definido pela própria instituição.

Dólar dispara e juros futuros sobem

A instabilidade também atingiu o mercado de câmbio. Por volta das 10h20, o dólar registrava alta de 12,04%, cotado a R$ 5,597. Durante a manhã, a moeda americana chegou a ultrapassar R$ 5,60.

Os juros futuros também apresentaram forte elevação, com contratos registrando avanços de até 260 pontos-base. O movimento reflete a revisão das expectativas dos investidores em relação à economia brasileira e à condução da política fiscal nos próximos anos.

Outro indicador afetado foi o risco-Brasil, que subia 27% por volta das 10h34. A alta representa um aumento da percepção de risco dos investidores em relação ao país, o que pode encarecer a obtenção de recursos no exterior por empresas e pelo governo.

Mercado reage ao resultado das eleições

Segundo analistas do mercado financeiro, as quedas estão relacionadas às preocupações com o controle dos gastos públicos e a trajetória da dívida brasileira durante o próximo mandato de Lula.

Parte dos investidores apostava na vitória de Flávio Bolsonaro e na adoção de medidas mais rigorosas de ajuste fiscal. Com a reeleição do petista, o mercado passou a reavaliar as expectativas para os próximos anos.

A reação desta segunda-feira também contrasta com o desempenho registrado após o primeiro turno das eleições, quando Flávio Bolsonaro terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Na sessão seguinte à primeira votação, a Bolsa brasileira havia subido 7,70%, alcançando 206.911 pontos, enquanto o dólar caiu 4,11%, fechando a R$ 5,001.

Uma pesquisa do Citibank com 73 gestores de fundos já indicava a possibilidade de forte desvalorização em caso de vitória de Lula. Entre os entrevistados, 80% esperavam queda superior a 5% no Ibovespa, enquanto 63% projetavam desvalorização do real acima de 5%.

Apesar das fortes oscilações, o desempenho do mercado ao longo do dia dependerá das negociações após a retomada do pregão e das expectativas dos investidores sobre os próximos passos da política econômica brasileira.

Fonte: Com informações de Folha de S.Paulo